Sobre ombros doloridos

     


    Nossas mãos alcançam o topo da cabeça graças aos ombros. Coçar as costas também é tarefa integrada pela articulação do ombro. Lavar o rosto, os cabelos, vestir camisetas ou blusas, estender roupas, alcançar um objeto, dirigir,  todas essas tarefas em algum momento precisam de uma liberdade de movimentos no ombro. Mas, e quando ele dói?

    Realmente por ele ser utilizado em diferentes tarefas ao longo do nosso dia a dia, ser exigido em determinadas posições, as sensações aparecem. Dor e desconforto ao dormir e acordar, ou ao realizar simples tarefas de levantar algo podem ser difíceis e muitas vezes impossíveis. Nesse momento nos preocupamos mais porque tudo isso modifica a nossa forma de nos movimentarmos.

    Essa importância relacionada ao movimento se dá por causa da ampla liberdade que essa articulação tem, possibilitada pela anatomia articular e seus vários músculos que a auxiliam. Por tal motivo é que por muito tempo se determinou o diagnóstico de muitas patologias baseado nas alterações biomecânicas. Só que nem todo mundo melhorava com apenas intervenções biomecânicas. Outras abordagens diagnósticas foram se tornando necessárias para a evolução completa do caso. 

    Entender que as dores ou desconfortos pioram por razões distintas das articulares não é fácil. É necessário compreender os sistemas que modificam ou estimulam os sensores do corpo, e como eles estão intimamente ligados ao nosso ambiente e as nossas interações, assim como nosso estado humoral. 

    Isso não quer dizer que para se tratar uma patologia no ombro deve-se tratar o psicológico e ambiente social. Mas que para o sucesso ou a evolução mais rápida do caso, as vezes até para a "descronificação",  deve-se pensar nessas alternativas. 

    Logo o que determina o sucesso é uma análise criteriosa de toda a articulação do ombro e da região que rodeia ela como a cintura escapular. Verificar a condição região da coluna cervical e torácica, testar os nervos do plexo braquial, testar os músculos que atuam na área. Compreender em que ambiente essa pessoa esta incluída, se é atleta ou não, praticante de atividade física e qual, se é o braço dominante, como interage com o meio, se é resistente, resiliente, tranquilo, como está sua saúde como um todo, entre outros tantos achados que complementam a avaliação do ombro. 

    E muita gente ainda chega com um exame de imagem do ombro em mãos, achando que a resposta para o tratamento é resolver apenas aquele problema que o laudo informou. 


Rafael Guimarães

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